A mobilidade a pé

Esquina e CRC promovem debate e lançamento de livro

No último dia 4 de dezembro de 2018, o Esquina: Conversas sobre cidades em parceria com o Centro Ruth Cardoso apresentaram o lançamento do livro “A rede da mobilidade a pé”  da ativista social e doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAUUSP, Meli Malatesta, lançado pela editora AnnaBlumme.

Na ocasião também foram chamados para o debate Eduardo Vasconcellos, diretor do Instituto Movimento e assessor da ANTP, Maria de Assunção Ribeiro Franco, coordenadora das atividades do Laboratório LabVerde da FAU-USP e Maria Teresa Diniz, criadora do site Urbitandem, portal que abriga registros de percepções sobre a cidade e a relação com ela.

 

Contente por realizar uma obra sobre a mobilidade a pé, Meli Malatesta, que trabalhou por muito tempo na CET, iniciou sua fala exaltando a preocupação com a falta de prioridade dada para quem caminha na cidade. “O pedestre só era motivo de preocupação quando acontecia alguma tragédia”, ressaltou, lembrando da dificuldade em encontrar livros que falem sobre o assunto. Cerca de 41% dos percursos urbanos no Brasil são feitas a pé – dado que inspirou a ativista a realizar esse livro, “por quê, na hora de dividir o espaço público onde acontecem as viagens existe essa distribuição desigual?” ressaltou Meli.

 

Maria Assunção Ribeiro definiu o trabalho de Malatesta como revolucionário, considerando que Malatesta tem uma visão clara da escala urbana. Fez questão de pontuar o trabalho humanista realizado pela ativista. Um dos trabalhos de Meli que lhe chamou atenção foi o mapeamento que feito da cidade de São Paulo, tomando como base os caminhos existentes nas galerias urbanas.

 

Maria Teresa Diniz lembrou, a partir de uma pesquisa realizada com Malatesta, da problemática envolvendo as vias das regiões urbanas periféricas. Na oportunidade, explicou sobre os compartilhamentos do espaço urbano pelo pedestre, citando a diferença de fluxo da periferia e dos grandes centros. Também ressaltou os seus trabalhos realizados com ciclovias e reforçou a ideia de pensar no transeunte: “eu sou uma pedestre e acho que precisamos de mais espaço, somos muitos mais, porém estamos em desvantagem”.

 

Eduardo Vasconcellos, diretor do Instituto Movimento e assessor da ANTP, falou sobre a literatura que envolve os estudos sobre o fluxo urbano. Ressaltou sobre os livros que envolvem o planejamento de tráfego das cidades. Vasconcellos explicou que, no passado, a prioridade era para a criação de mais espaços para os carros: “os livros de antes eram muito baseados na cultura norte-americana, que reforça a ideia de priorizar o automóvel como meio de locomoção” disse Eduardo. Esse pensamento foi trazido para o Brasil e ainda influencia muito a maneira na qual a urbanização brasileira é planejada.

 

O público presente pôde compreender melhor questões sobre o planejamento urbano da cidade de São Paulo. Dois dos argumentos usados para pensar em uma cidade mais inclusiva para o pedestre seriam as questões da saúde pública, pois consequentemente diminuiria o sedentarismo e da sustentabilidade. Essa segunda, teria efeito imediato com a diminuição de automóveis e consequentemente menor poluição do ar. Cabe a todos pensarem em uma cidade voltada para quem faz seus trajetos a pé, afinal, cada vez mais se procuram alternativas para melhorar a qualidade de vida da sociedade e esse seria um dos caminhos a seguir.