A era das Cidades Inteligentes

A popularização do termo Smart Cities fez crescer a curiosidade acerca do seu significado. Para discutir o que de fato são as “cidades inteligentes”, o Centro Ruth Cardoso e o Esquina: Conversa sobre cidades promoveram, no dia 19 de Setembro de 2018, o lançamento do livro “Cidades ‘Inteligentes’ e Poéticas Urbanas”, seguido de uma roda de conversa. A obra, da editora Anna Blume, é uma coleção de ensaios de diversos autores com organização de Artur Rozestraten, docente na FAUUSP. O debate contou com a presença de outros pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, co-autores do livro, como: Gabriel Figueiredo, Caio Vassão, Hulda Wemann, Gil Garcia de Barros, Daniele Queiroz e Vladmir Bartalini.

 

O livro é produto do Colóquio Internacional Imaginário: Construir e Habitar a Terra (ICHT), organizado na FAUUSP no ano de 2016 em parceria com a Universidade de Lyon (França). A obra promove uma reflexão sobre o conceitos relativos à cidade e sobre como as pessoas se adaptam aos novos rumos que a dinâmica urbana está tomando. Segundo os estudos apresentados, as tecnologias influenciam diretamente no jeitio com que as pessoas planejam sua vida e ditam novas maneiras de convívio social.

Banalização da tecnologia

Caio Vassão fala sobre “A cidade Selvagem”, fazendo uma investigação epistemológica que conecta ideias de campos diversos do conhecimento, para além-Urbanismo, como a antropologia de Levi-Strauss. Ele diz que a tecnologia digital em excesso, dentro do convívio social, acaba confundindo o discernimento acerca da realidade: “A ciência como a gente entende não dá mais conta do entendimento do mundo que a gente mesmo habita”, coloca o escritor.

 

A tecnologia passou a ser transterritorial e a comunicação translocal, com, por exemplo,  celulares conectados adiversas partes do mundo simultaneamente, impactando mais no nosso cotidiano do que as relações tradicionais de vizinhança.

A fala de Daniele Queiroz pondera que o conhecimento e o saber de uma cultura não são lineares, e sim construídos por diversas experiências e conhecimentos de diferentes épocas e lugares, em permanente troca. Esse contato múltiplo é o que gera a pluralidade da população com relação a sua cultura e no seu desenho da cidade, fazendo com que o conceito de smart city esteja sempre em mutação, se adaptando a novos tipos de sociedade. Nos dias de hoje, em que a tecnologia está tão presente nas nossas comunicações, o saber de nossa sociedade se funde exponencialmente.

 

A paisagem e a pluralidade

No segundo momento do evento, a convidada Hulda Wehmann, Doutoranda em Arquitetura e Paisagismo pela FAUUSP, chamou atenção para a questão da paisagem no meio urbano. Ao pesquisar o que é uma cidade inteligente, a autora questiona a contribuição das pessoas para a produção de espaços mais naturais – “O próprio conceito de paisagem precisa ser expandido para incluir o espaço onde a maioria de nós mora, que é a cidade” comenta Hulda. Ela ainda contesta o conceito de “Cidade Inteligente”, dizendo que esse termo retira a pluralidade que a cidade tem. Para ela, a cidade inteligente deve abranger e entender todas as diversas formas de cidade existentes.

O livro nos mostra que o conceito de Cidade Inteligente não é hegemônico. Os conceitos relativos à cidade, o espaço urbano e sua ocupação estão em constante mudança. A pluralidade dos entendimentos acerca do que é a cidade, em um recorte do presente, pode ser encontrado no livro “Cidades ‘Inteligentes’ e Poéticas Urbanas” da editora AnnaBlume.