A era das cidades inteligentes

CRC promove palestra e roda de conversa

Com mais de 50% da população do planeta vivendo em espaços urbanos, rodeados por novas tecnologias de comunicação que ligam as cidades mais distantes em segundos, nossa sociedade passa a ter outro comportamento a ser observado. Para desenvolver um raciocínio crítico sobre o futuro dos espaços urbanos, o Centro Ruth Cardoso realizou, no dia 25 de Setembro de 2018, o evento A Cidade do Futuro: configurações do espaço urbano.

 

Conceitos como “Smart Cities” e “cidades para pessoas” e movimentos como o “Ocupe a rua” são cada vez mais inseridos nas discussões sobre cidades. Para conversar com o público foram convidados os pesquisadores Carla Link, Mestra em Design Estratégico pela Unisinos; Caio Vassão, doutor em Design e Arquitetura pela FAU-USP; Gabriel Figueiredo, Mestre em Tecnologia da Arquitetura FAU-USP; e Lucas Girard, urbanista, arquiteto e designer, com graduação e mestrado pela FAU-USP.

 

Tecnologia e Pluralidade andam juntos

 

Caio Vassão explicou o que seria a Cidade Selvagem – conceito formulado em cima da obra de Claude Levi-Strauss, O Pensamento Selvagem –, a partir do pensamento civilizado. O selvagem é uma condição inseparável de nossa existência, “Se todo sedentário é um nômade que aprendeu a ficar parado, todo civilizado é um selvagem que adota um estatuto para se reger” comentou Caio, que falou também da latência existente para uma outra urbanidade, que: “ emerge gradualmente, a partir de uma outra lógica de interação social mediada por dispositivos eletrônicos”. O pesquisador também ressaltou que, para se pensar no futuro do meio urbano, é preciso olhar o passado daquele local. A cidade deve ser pensada a longo prazo e o seu processo é cíclico.

“Ao invés de se pensar no termo Smart Cities devemos pensar em Smart Citizens”, propôs Carla Link. Sentindo-se uma migrante de outra cidade, ela viu a necessidade de entender a nova cidade onde vive. Carla apresentou o conceito de “Hacker Urbano”, aquele que pensa e age na melhoria da cidade, algo muito conectado com o design thinking. A designer faz parte de um coletivo chamado Ocupe e Abrace que, com essa perspectiva de pensar e agir, promoveu melhorias na Praça da Nascente, em São Paulo, restaurando e ressignificando aquele espaço público com ação de cidadãos comuns. Com seu trabalho também desenvolveu o Laboratório de Inovação e Segurança, com o objetivo de pensar em maneiras de deixar  cidades mais seguras. Para ela, é necessário pensar uma cidade do futuro mais colaborativa, de forma que as pessoas estejam mais engajadas com o espaço que habitam. “Quando a gente junta as pessoas com as mesmas habilidades para resolver um problema é que a coisa acontece, só é necessário espaço para isso aflorar”.

 

A economia e as Smart Cities

Lucas Girard, em sua pesquisa, busca compreender o contexto das cidades inteligentes presente atualmente no discurso de empresas. Trazendo da história momentos e teorias, ele explicou como as tecnologias disponíveis, que estendem nossas potencialidades, são construções coletivas feitas a partir de anseios sociais e que atendem necessidades das pessoas.“Hoje podemos e queremos controlar cada variável da nossa realidade e esse é o aspecto crucial da tecnologia atual”, comentou Lucas. Esse controle acelera as urgências existentes na sociedade, afetando diretamente a maneira como se trata de assuntos econômicos ou de diversos segmentos, um deles é a comunicação.

 

A industrialização da comunicação por meio da imprensa aumentou a urgência de sua demanda a um nível extraordinário. Pensar sobre as políticas de comunicação e de tecnologias como algo interligado é um sinal de que já se vive em cidades inteligentes, “Somos todos componentes de uma rede planetária sociotécnica” enfatizou. A convergência tecnológica que hoje permite sonhar com uma cidade automática é um trabalho de séculos de pensamento aplicado, mas é também produto de alianças industriais. Um ambiente de abundância de tecnologia e comunicação é um projeto de sociedade.

Após 2 anos pesquisando sobre Smart Cities, seu conceito e significados, Gabriel Figueiredo citou exemplos de cidades “inteligentes” que foram projetadas do zero e falharam em seu propósito principal. Devido à crise econômica da década passada, o dinheiro para investimento a fim de criar uma cidade “do nada” foi reduzido, obrigando a indústria a voltar os olhos para as cidades já existentes deixando-as mais “inteligentes”. Em sua fala, também explicou sobre a dinâmica do fluxo de informações existentes no mundo urbano hoje. “Cada pessoa anda com uma fábrica de informações no bolso” comentou. Essas informações são georreferenciadas através dos smartphones, o que ajuda a entender a gama de fluxo e dinâmicas urbanas.

 

Abaixo você confere um vídeo com Gabriel Figueiredo e Carla Link falando sobre o que esperam para o futuro das cidades.