Legado de Jane Jacobs é tema de evento

Lançamento do livro “Situando Jane Jacobs” lota auditório do Centro Ruth Cardoso       

  

         Na noite de 7 de Agosto de 2018, o Esquina: Conversas sobre cidades, parceiro do CRC, promoveu o lançamento do livro Situando Jane Jacobs organizado por Renato Cymbalista. Na ocasião, pode-se conhecer mais sobre o trabalho da escritora Norte Americana e conversar sobre as heranças que o pensamento de Jacobs deixou nas novas gerações, por meio da fala de três convidados: Fabio Mariz, professor de Paisagismo na FAU-USP; Alexandre Martins Fontes, arquiteto e urbanista, fundador da Editora WMF Martins Fontes e responsável pela publicação de Morte e Vida de Grandes Cidades no Brasil; e Caio Aquinaga, estudante da FAU-USP e um dos autores do livro. Desenvolvida pelos alunos do curso de História do Urbanismo Contemporâneo da FAU-USP, a publicação foi assinada por mais de 50 autores.       

As ideias de Jacobs no Brasil

Após as boas-vindas introdutórias, Caio Aquinaga apresentou a linha do tempo que preparou para o livro, mostrando a trajetória de vida da autora, o contexto histórico desse percurso e também a cronologia de desenvolvimento do livro Situando Jane Jacobs. Em sua fala, Alexandre Martins Fontes contou como foi o processo de publicação do livro Vida e Morte de Grandes Cidades no Brasil. O título original do livro, em inglês, é “Life and death of Great American Cities”, o que se traduziria para Vida e Morte de Grandes Cidades Americanas, um pouco diferente do nome dado à publicação no Brasil, que exclui o “Americanas”. O Editor explica a adaptação: “Por causa do nome remeter às cidades dos Estados Unidos, ele não demonstra a dimensão universal que ele [o livro] tem, por isso optamos por modificar o nome”. E comenta: “Jane Jacobs é responsável por salvar muitos bairros de Nova York, acho que seria uma outra cidade se não tivesse sido ela”, como forma de justificar sua relevância em qualquer contexto, inclusive o brasileiro.

Para Fabio Mariz, estudar Jacobs é olhar toda complexidade da autora e seu legado, que ultrapassa a produção de Vida e Morte, produzindo uma reflexão relevante sobre a cidade em um dado momento histórico. Ele explica que, quando foi publicado nos Estados Unidos, o livro de Jane Jacobs foi considerado um escândalo e pondera: “Se em um país com a democracia como a dos EUA teve essa repercussão, em países de língua portuguesa ia ser recebido de forma diferente”, relembrando o cenário político da época, em que tanto Portugal como Brasil não viviam uma democracia. “Esse cenário da ditadura atrasou consideravelmente a introdução do pensamento de Jane Jacobs nas cidades do Brasil”.

Pensamento que permanece atual

Ao ver o público presente no evento de lançamento do livro, em sua maioria composto por jovens e estudantes, pode-se perceber a influência de Jane Jacobs nos dias atuais. Sua visão reflexiva do cotidiano urbano ainda causa interesse e desperta curiosidade nas mentes dispostas a mudar os padrões vigentes nas grandes cidades. “Todo trabalho da Jane é uma ode de amor à vida urbana que ocorre nas ruas” diz Fabio Mariz. Para Renato Cymbalista, o livro recém lançado, além de evidenciar ideias pertinentes de Jacobs, não deixa de fazer críticas a alguns pensamentos da autora, “O livro não diz que Jane Jacobs é a oitava maravilha do mundo, em alguns dos aspectos ele é crítico à trajetória dela e isso a deixa mais atual ainda“.

  Confira a entrevista de Renato Cymbalista para o Centro Ruth Cardoso