Menos individualidade, mais compartilhamento: esse é o futuro do trabalho?

Roda de conversa do Esquina: Encontros sobre Cidades, em parceria com o CRC, debateu as transformações nos espaços corporativos

A robotização, a inteligência artificial e a chegada da cultura millennial ao mercado têm transformado as relações de produção e consumo nas cidades, mas o que definirá a relação com o trabalho no futuro é outra coisa: os espaços físicos onde desenvolvemos nossas atividades. Essa foi a principal conclusão da roda de conversa realizada na terça-feira (08/05), pelo Esquina: Encontros sobre Cidades, em parceria com o Centro Ruth Cardoso. O debate contou com a participação de Fabiano Coura, diretor da R/GA, Eduardo Cardinali, diretor de transações da Newmark Grubb Brasil, Pedro Priori, gerente de áreas do Spaces, e Hugo Silveira, community manager do We Work.

Todos eles opinam que a ideia de compartilhamento, que sempre fez parte da cultura humana (dividimos com os outros experiências e espaços no transporte público, no cinema, auditórios etc), é o que vai transformar os espaços corporativos e o próprio modelo de trabalho nos próximos anos. A tendência, afirmam, é de que as oficinas e escritórios tradicionalmente caracterizados por divisões entre salas e gabinetes dêem lugar a ambientes mais acolhedores e integrados, que propiciem mais proximidade física entre as pessoas, como os coworkings.

“O trabalho flui melhor quanto mais interconectadas as pessoas estão. O futuro do mercado corporativo é pensar em novos materiais, tecnologias e estruturas para integrar mais esses espaços”, afirmou Fabiano Coura.

De acordo com Pedro Priori, essa tendência tem feito com que a “moda do home office” perca força. “A casa sempre foi o local de descanso do trabalhador, então, quando ela passa a ser também o local de trabalho, esse modelo não se sustenta. Por isso, as empresas que adotavam o trabalho remoto passam cada vez mais a alugar espaços de trabalho compartilhados”, comentou. Para ele, as principais vantagens dessa transformação são a flexibilidade, a praticidade e a possibilidade de fazer networking com pessoas de diferentes gêneros, interesses e atividades.   

“Em um mundo em que quase 90% das nossas vidas acontece dentro de edifícios, seja em casa, no shopping ou no escritório, transformar esses prédios em ambientes mais agradáveis, mais humanos e eficientes”, disse Hugo Silveira, que resumiu o futuro do trabalho (ou pelo menos dos espaços de trabalho) em uma ideia: menos individualidade, mais compartilhamento.