Diversidade e Desigualdade no Brasil e nos Estados Unidos foi tema da roda de conversa no Centro Ruth Cardoso

Evento abordou o racismo como principal tema de discussão

Diversidade e Desigualdade no Brasil e nos Estados Unidos foi o tema da roda de conversa realizada pelo Centro Ruth Cardoso e Comissão Fulbright, em comemoração aos seus 60 anos no Brasil, na última quinta-feira (22). Para compor a mesa, a historiadora e professora da Universidade Federal Fluminense Hebe Mattos, o professor de sociologia da UNICAMP, Marcelo Siqueira Ridente e o ex-Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, que foi o moderador da roda.

“Esse espaço é um lugar aberto para organizações que desejam fazer ações de desenvolvimento, como essa que acontece hoje. É o que Ruth Cardoso gostaria que acontecesse: atividades que gerem debates sobre a sociedade e suas contradições”, disse a vice-presidente do Centro Ruth Cardoso, Gilda Figueiredo Portugal Gouvea, na abertura do evento.

Em seguida, o professor e Diretor Executivo da Fulbright, Luiz Valcov Loureiro, falou sobre o evento, que reúne acadêmicos brasileiros contemplados com a Cátedra Dra Ruth Cardoso, na Universidade Columbia, financiada em conjunto com a CAPES-MEC e a FAPESP. “A Cátedra busca promover no meio acadêmico norte-americano a atuação de pesquisadores brasileiros nas Ciências Humanas e Sociais e, em especial, honrar a memória da Prof.ª Dra. Ruth Corrêa Leite Cardoso, ela mesma ex-bolsista da Comissão Fulbright na Universidade Columbia em 1988”, falou.

A roda de conversa foi iniciada com uma breve descrição dos trabalhos realizados pelos participantes quando bolsistas e, logo em seguida, foi aberta às perguntas, principalmente, sobre desigualdade racial no Brasil e nos EUA. “Estamos em um lugar, cujo nome é essencial para pensarmos muita coisa promissora no Brasil. Ruth Cardoso não foi apenas uma grande pesquisadora, mas uma pessoa inspiradora, tanto que a vemos aqui hoje como as pessoas que trabalharam com ela se referem com muito carinho e sempre pensando nos sinais que ela apontava para o futuro”, disse o ex-Ministro Renato Janine, ao começar a conversa.

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Evento destaca a diversidade e desigualdade no Brasil e nos EUA.

Entre os questionamentos, os professores destacaram como as pesquisas podem sair da academia e chegar às comunidades periféricas e como discuti-las com as pessoas que vivem situação de discriminação racial a cada dia. “Eu acho que o trabalho que a gente faz de recuperar a memória dos Quilombos, por exemplo, tem reflexo nas escolas e comunidades. Claro que menos do que gostaríamos, mas continuamos tentando. Através dos documentários sobre as comunidades, do site, do memorial essas pessoas se apropriam das pesquisas de certa forma, chegando inclusive a obter algum tipo de renda para a comunidade a partir do turismo de memória, por exemplo. Vemos no próprio Laboratório da faculdade, hoje em dia, muito mais pesquisadores negros do que há 30 anos. Acredito que seja uma forma do nosso trabalho chegar também às periferias”, disse Hebe.

Quando os questionamentos foram sobre as cotas raciais, o professor Marcelo defendeu ser uma política de reparação. “Vale lembrar que não é assistencialismo, mas uma dívida brasileira com comunidades quilombolas. A escravidão é uma injustiça histórica e que trouxe grandes danos e é por isso que a política de cotas é uma reparação histórica”.

Comemorações continuam

Ainda acontecerá o último evento em comemoração aos 60 anos da Comissão Fulbright no Brasil. Dessa vez, será no dia 28 de agosto e o tema é “Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Sociedade”, com a Dra Tatiana Schor, da UFAM, e o Dr Luis Guilherme Oliveira, da UnB.

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