Participantes da segunda mesa do seminário durante exposição do tema

Parcerias entre investimento privado, negócios de impacto e setor público em pauta

Na segunda-feira, dia 10 de novembro, o Centro Ruth Cardoso, a Comunitas, o Gife e o ICE promoveram o seminário “Parcerias inovadoras entre investimento social privado, negócios de impacto e setor público”.

Regina Esteves de Siqueira, diretora-presidente do Centro Ruth Cardoso abriu o seminário agradecendo aos presentes e aos parceiros do evento e do Centro. “Trabalhar em parceira e em coalisão é fundamental para o avanço do campo dos investimentos de impacto. Ao longo do evento serão apresentados exemplos de como a Comunitas e o Centro têm atuado para a melhoria da gestão pública municipal. É importante que projetos e empresas tenham um olhar diferente para a criação de propostas de mudança em políticas públicas”, disse.

A primeira mesa do seminário, moderada por Ana Flávia Castro do Inspirare, trouxe como tema um overview do campo de negócios de impacto.

Rebeca Rocha, da Ande iniciou sua fala e apresentou o mapeamento do campo do investimento de impacto realizado pela Organização e lançado em agosto de 2014. Os dados mostram crescimento de 85% no número de fundos de investimento de impacto e de 50% no número de capacity developers. O estudo também apontou que os fundos detém hoje mais recursos que há dez anos e que houve crescimento de fundos globais e multi-regionais.

Anna de Souza Aranha do Instituto Quintessa fez sua fala focada no papel das aceleradoras. Durante sua fala, explicou que a aceleração é o suporte à empresa para crescer mais, em um tempo menor e que esse processo apoia a consolidação de empresas em estágios iniciais.

“A diferença para a incubação está no em focar no apoio à empresa quando as ideias já estão mais maduras. É um tipo de suporte para a gestão e relacionamento do negocio e tem duração mais curta que a incubação (1-2 anos)”, ressaltou.

A Fundação Telefônica, também participante da primeira mesa, trouxe aos participantes um pouco do foco de atuação da Organização.

Américo Mattar, representante da Fundação, falou sobre o trabalho da Organização com o jovem de periferia, fora do eixo tradicional do investimento empreendedor, que coincide com o eixo Rio-São Paulo. Esse empreendedor ainda está num grau de estruturação de sua ideia que é amador, não tem visão de receita ou público alvo, mas quer transformar sua comunidade.

“A Fundação tem a crença de que a solução para problemas sociais está dentro da comunidade e que as soluções devem ser criadas por seus habitantes”, ressaltou.

Durante sua fala, Américo contou os resultados de duas pesquisas realizadas pela Fundação Telefônica. A primeira chamada Millenials com jovens de 18 a 30 anos – disponível em www.telefonica.com/millennials e a Juventude Conectada com jovens 16 a 24 anos – disponível em www.fundaçãotelefoncia.org.br

Fundador do Geekie, Eduardo Bontempo apontou em sua apresentação que ¼ dos alunos que iniciam o ensino fundamental no Brasil o abandonam antes de terminá-lo.

“Qual é o modelo da Educação 3.0, que deve ser diferente do modelo ainda presente que coloca alunos de forma enfileirada em sala tal qual uma linha de produção industrial?”, questionou os participantes.

Eduardo apresentou um projeto apoiado pela Fundação Telefônica, no qual reuniram dois milhões de alunos cadastrados em dois meses. Houve adesão formal de 11 secretarias de educação e a oferta da plataforma adaptativa foi feita a 17 mil escolas do país, quase metade das escolas que têm ensino médio no Brasil. Alunos de todos os estados, e moradores de 90% dos municípios do Brasil.

A plataforma foi disponibilizada para alunos nos últimos anos do ensino médio e que começavam a se preparar para o ENEM. Mais de três milhões de vídeo aulas foram assistidas, 40 milhões de exercícios realizados. Alunos passaram 2h24 minutos por dia efetivamente estudando.

Parcerias inovadoras envolvendo o setor público
A segunda mesa do seminário, moderada por Daniel Izzo da Vox Capital, trouxe a visão de que na busca pelo ganho de escala e impacto, o setor público é fundamental como cliente ou parceiro.

Maira Pimentel da Tamboro iniciou sua fala contando histórico da empresa, startup carioca que tem três anos de vida. Ela apontou para o fato de que alunos de 6º a 9º obtém notas muito ruins nos rankings do PISA (Programme for International Student Assessment), programa de avaliação internacional, e da Prova Brasil.

“Assim reunimos grupo de profissionais que se propôs a trazer algo novo para a educação, novas formas de aprendizagem na escola, a partir de soluções disruptivas, possíveis hoje por causa do avanço das tecnologias da informação”, contou.

Fernando Fernandes do Saútil contou que é médico e que empreendeu o negócio de impacto a partir da observação da necessidade dos pacientes que recebiam receita médica não conseguirem comprar medicamentos.

“Na tentativa de universalizar acesso à saúde no Brasil a estratégia do Saútil é que o totem seja um ponto de serviços dentro dos postos de saúde. Um exemplo é que se possa ler o estoque de medicamentos da prefeitura e a agenda de atendimento médico trazendo a informação ao paciente on-line e evitando deslocamentos desnecessários para o mesmo”, explicou.

Germano Guimarães, cofundador do Instituto Tellus apresentou atividades do Tellus, cases e visão de inovação em design de serviços públicos.

“O Tellus busca atuar na interface entre o governo e o cidadão. Não trabalham com planejamento estratégico ou desenvolvimento organizacional para governos, mas sim com desenho e redesenho de serviços públicos”, contou Germano.

Durante sua fala, Germano apresentou dois casos de serviços públicos redesenhados pelo Tellus. O primeiro tem apoio da Fundação Telefônica e se chama Escolas que Inovam e acontece em Heliópolis. Tellus cocriou com servidores de uma escola pública processo para avaliar qual tecnologia de aprendizagem adaptativa seria melhor para utilização em sala. O objetivo do uso da ferramenta era melhorar o desempenho do aluno.

O segundo projeto tem apoio da Comunitas e acontece em Pelotas- RS. Lá realizaram mapeamento de necessidades dos usuários das unidades de saúde. Entre os diversos pontos levantados, a qualidade no acolhimento foi eleita como foco e trabalharam sobre projeto para uma UBS que atende 30 mil pessoas que dependem inteiramente do SUS como sistema de saúde.

“Hoje no Brasil temos 142 milhões de habitantes que são SUS dependentes. 95% deles são das classes C, D e E e que, portanto, investir em melhoria do serviço público é de fato gerar impacto social na base da pirâmide”, complementou.

Carlo Pereira, gerente de sustentabilidade da CPFL prosseguiu as apresentações da mesa contando sobre a experiência da empresa com a utilização do subcrédito social do BNDES para fomentar negócios de impacto.

Segundo ele, esses recursos de financiamento são disponibilizados pelo BNDES juntamente com o financiamento para uma grande obra e que em geral representa 0,5 a 1% do custo total da obra.

“Os recursos devem ser utilizados em projetos que tragam retorno para a sociedade e os projetos propostos ao banco devem estar alinhados com a descrição de seis categorias: obras civis, máquinas e equipamento, materiais permanentes, tecnologia da informação, despesas administrativas e tecnologias aprimoradoras de políticas públicas”, disse.

Daniel Izzo fechou o evento comentando que é importante olhar cenário atual para vermos que movimento dos negócios de impacto não tem volta. “Traz esperança ver que setor dos negócios de impacto pode fornecer ferramentas que os gestores querem utilizar”.

Centro Ruth Cardoso

R. Pamplona, 1005 - Edifício Ruth Cardoso
CEP: 01405-200 | Jardim Paulista | São Paulo (SP)
Tel.: 55 11 3372-4325 | Fax: 55 11 3372-4339